Lápis, tablets e brincadeiras infantis: os limites da tecnologia.


Quando decidimos restringir o uso de eletrônicos pelos alunos nas nossas dependências, sabíamos que haveria polêmica. Afinal, em um mundo integrado e conectado como o nosso, onde crianças de 6 anos de idade já têm seu próprio smartphone, uma orientação como essa poderia soar como arcaica, obsoleta.

Hoje, resolvemos discutir, por meio deste artigo, as diversas motivações que nos moveram nesta direção.

É fato que as escolas e os profissionais da Educação devem estar conscientes de que as novas tecnologias vieram para ficar e podem ser aliadas no processo de aprendizagem. Dispositivos como os tablets e smartphones agilizam a busca por informações e oferecem recursos interativos que podem tornar mais prazeroso o processo de absorção de alguns conteúdos. Um exemplo é o jogo “Sushi Monster”, que pode ser baixado gratuitamente e desafia o usuário a solucionar operações de adição, subtração, divisão e multiplicação. Interessante, sim.

No entanto, a nossa experiência prática demonstrou que, a menos que todos os alunos disponham dos mesmos recursos (dispositivos e softwares idênticos), para um uso pedagogicamente integrado e dirigido – como o que realizamos nas aulas de informática e de robótica –, a simples presença de tablets e celulares no ambiente escolar serve muito mais para dividir e isolar do que para fomentar o diálogo e a cooperação. Vale lembrar que, além de ofertar o conhecimento acadêmico, a escola também tem um papel importante a desempenhar na formação plena do aluno: no Ensino Infantil e Fundamental I, as crianças vivenciam suas primeiras relações externas ao ambiente familiar, constroem vínculos de amizade significativos para essa etapa de suas vidas e formam os alicerces de interação social que futuramente definirão suas condutas na sociedade. É nossa responsabilidade, portanto, prover aos nossos alunos o instrumental necessário para que trabalhem em equipe, descubram suas potencialidades, enfrentem frustrações, aprendam a argumentar e expressem o que sentem e pensam por meio da fala, do gestual e da escrita. Neste sentido, por mais que saibamos dos benefícios das novas tecnologias, também não podemos negar que elas trazem consigo um problema intrínseco: a propensão ao isolamento do usuário, que aprende a interagir por meio de uma tela e, muitas vezes, esquece-se de olhar o ser humano de carne e osso que está bem a seu lado...

Ressalte-se que a nossa decisão não se baseia em meras suposições: um estudo feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 70 países revelou que o uso de tecnologia na escola não melhora a aprendizagem dos estudantes. Isso mesmo: ao contrário do que reza o senso comum, os resultados dessa pesquisa demonstraram que países que investiram pesado em tecnologia não obtiveram melhora perceptível no desempenho dos alunos nos exames de leitura, matemática ou ciências.

Estudantes da Austrália, Nova Zelândia e Suécia, que estão entre os sete países com alto índice de uso da internet na escola, apresentaram “declínios significativos” nas notas de leitura. Em cenário oposto, Japão, Coreia do Sul, Xangai e Hong Kong (na China) apresentaram os maiores progressos em qualidade de aprendizagem – e, em suas salas de aula, ainda predominam os tradicionais cadernos, lápis e quadro-negro.

Para nós, o Estudo da OCDE corrobora exatamente o que constatamos no nosso pequeno universo: a tecnologia pode ser uma distração, uma fornecedora de respostas “pré-fabricadas”, quando, na verdade, queremos que nossos alunos aprendam a pensar, questionar e resolver problemas.

As famílias têm, conforme seu estilo e seus valores, maneiras próprias de lidar com a inserção de seus filhos no mundo da tecnologia. Respeitamos isso e acreditamos que, com o monitoramento familiar, cada criança será capaz de extrair as melhores experiências dessa interação digital. Mas, na escola, optamos pela fórmula testada e aprovada de dar um passo por vez, por meio de um ensino quase artesanal, baseado na troca, no olho no olho, no diálogo e na superação de desafios. O mundo é disruptivo, mas os alicerces baseados em valores humanos são os mais sólidos – esta é a nossa aposta.

#CentroEducacionalDimensão

    Rua Onze de Junho,  548 - Bairro Casa Branca - Santo André - SP - (11) 4992-5267 / secretaria@centroeducacionaldimensao.com.br